Se pensássemos de forma idealizada, poderíamos dizer q existe O Teatro, uma atividade que é una, composta de gente que interpreta, outras que assistem e uma história que é apresentada. Mas não existe apenas pessoas, mas pessoas com experiências pessoais e coletivas, pessoas que carregam um legado histórico, um legado construído num mundo dividido, separado entre pessoas que construiram sua riqueza às custas do próprio suor, da união entre iguais, do esforço coletivo, por um lado, e do outro lado, pessoas que fizeram suas riquezas às custas do suor alheio, que buscam vantagens e riquezas desnecessárias, que querem acumular e acumular mais ainda. Se a vida social das pessoas é marcada por diferenças históricas, é mais que natural que suas expressões culturais e artísticas também o sejam. Por isso, não creio em Teatro, mas em teatros. Há teatros diferentes que expressa gostos e interesses de classes e segmentos sociais diferentes, teatros com formas de realização distintas, umas privilegiando o trabalho colaborativo, outras o trabalho explorado. Enfim, há formas diferentes de fazer teatro e a forma que uma pessoa escolhe para ser a sua expressa sua forma de ver e agir sobre o mundo.
Um espírito realmente libertário realiza práticas teatrais libertárias.